Interview with Motorama: "Tudo o que estamos tentando fazer é apenas música, e não construir um gênero."

by on quinta-feira, 5 de março de 2015






Uma banda livre, sem conceitos totalmente estabilizados e com uma imagem que eles mesmos constroem a cada novo passo. Motorama é uma banda que não quer se encaixar em algum gênero musical, mas é inegável suas raízes post-punk e a voracidade da leva contemporânea das bandas de rock alternativo da Rússia.

Tive o prazer de conversar com eles essa semana, é bem diferente dos artistas que eu tenho entrevistado nessa nova fase do blog, mas o estranho que é o interessante.

Lucaz: Eu não costumo falar muito sobre bandas russas no blog, mas a sonoridade de vocês nos revelam que há muito o que falar, e eu gosto disso. Como anda a cena do seu gênero musical na Rússia?

Motorama: Tivemos uma enorme cena independente na década de 80 na União Soviética, bandas como Kino, Durnoe Vliyanie, Megapolis, NII kosmetiki e muitas outras. No momento as bandas modernas da Rússia não são realmente interessante para mim. Eu gosto de algumas eletrônicas como OMMA de Moscou e Philipp Gorbachev, ele é russo, mas vive em Berlim, eles estão experimentando e explorando sons interessantes. Isso é tudo que posso dizer sobre a cena musical aqui em geral.



Lucaz: Por que vocês acham que quando nos referimos ao post-punk muitas pessoas ainda estão aprisionadas nos anos 70 e 80? Talvez o som que está sendo feito atualmente ainda não está digerível o suficiente para essa geração? Observo muito a cena post-punk em São Paulo, cidade onde moro, ela é bem pequena e concentrada e vive em uma constante luta de sobrevivência. Se observássemos com mais atenção o que está sendo feito agora, o movimento não cresceria mais?

Motorama: Eu realmente não gosto de falar sobre gênero musical, porque nós preferimos ouvir as músicas sem se importar em qual gênero ou estilo elas pertencem, seja post-punk, folk, eletrônica ou qualquer outra coisa, e nós temos boas músicas para isso. Tudo o que estamos tentando fazer é apenas música, e não construir um gênero. Por isso que é difícil para mim falar sobre bandas que estão tocando esse ou aquele tipo de música, se eles tem boas músicas, então não importa qual tipo de música eles tão tocando. E eu não acho que precisamos de um movimento, só precisamos mesmo de músicas boas, sem se importar com as bandas ou os livros ou sei lá o quê que inspiraram os autores.

Lucaz: Não sei se seria um crime comentar, mas algumas canções do novo álbum me lembraram 'The Cure'. Como vocês manipulam as influências quando o assunto é criar a sua música? Pensam muito nelas ou tentam afasta-las ao máximo para criar a sonoridade única?

Motorama: Não é um crime. Nós nunca ouvimos The Cure. Talvez eu tenha escutado a sua melhor coletânea musical uma vez, mas eu nunca ouvi algum álbum, eu não sou um fã deles. Nós realmente gostamos de algumas bandas soviéticas e talvez eles foram influenciados pelo The Cure ou Bauhaus ou outras bandas dos anos 80.  Eu não penso muito sobre influências e não estamos copiando melodias de músicas de outras bandas. Talvez isso soe engraçado, porque somos comparados com muitas outras bandas, mas não, nós não estamos interessados em copiar e colar músicas.



Lucaz: A estética visual de vocês é concentrada no preto e branco. Há algum sentimento em particular que essas cores causam em vocês?

Motorama: Esta é uma pergunta filosófica muito complicada. Talvez essas cores nos tragam algo, mas eu não sei o quê.

Lucaz: O que é melhor: assistir ou fazer um show?

Motorama: Assistir com certeza. Fazer um é estressante e me dá dor de cabeça, é sempre melhor relaxar e se divertir, segurando um cocktail e assistindo a dor de alguém no palco.

Lucaz: Já entrevistei algumas bandas post-punk e new wave e sempre quando eles falam sobre suas influências, citam a literatura e o cinema, ás vezes nem a própria música. Quando ouço o som de vocês alguns filmes do diretor Ingmar Bergman me passam na cabeça. Há algo em particular que os acompanham como referência que não seja a música?

Motorama: Eu acho que tudo que está conectado comigo, com a minha personalidade. Pode ser pessoas, lugares, livros, filmes, músicas, sonhos, sentimentos conscientes ou inconscientes. Todos essas coisas estão extremamente conectadas com algum período da minha vida. Não consigo nomear exatamente algo, prefiro dizer que é um mix de tudo.

Lucaz: A capa do Poverty é a minha favorita de 2015 até agora. Quem assina o trabalho visual do álbum e qual o significado que ela tem para vocês? (Foto a seguir)


Motorama: Obrigado, você é a terceira pessoa que gostou da arte. O primeiro foi o Sean do Talitres, e o segundo fui eu. Esta imagem foi tirada pela minha esposa, Irene. Eu não sei porquê, mas eu gostei dessa estranha imagem de flores queimadas ou congeladas. Eu escolhi essa imagem sem algum conceito profundo, e é assim que funciona com a nossa banda.

Lucaz: Infelizmente a tour pela América do Sul não irá passar pelo Brasil, mas ainda estamos sendo bem representados. O que esperam de países que gritam culturas diferentes e que exaltam de certa forma a 'diversidade'? Já que vocês vem de um lugar regado a regras e ideologias pesadas.

Motorama: Eu acho que a América Latina e a Rússia têm muitas coisas em comum em um nível espiritual. Estamos muito animados para viajar para um lugar tão longe para tocar para os sul-americanos, eu não sei o que esperar, na verdade não esperamos nada quando viajamos para algum lugar para fazer um show. Só queremos ir e tocar para as pessoas que precisam dos nossos acordes.

 
O novo álbum 'Poverty' já está disponível para audição no Spotify e para mais informações sobre a banda e a sua turnê pela América do Sul curta a página deles.

Tradução: Deborah Wolfgang/Lucaz


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