Minhas primeiras percepções sobre o 'Vulnicura'

by on quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Não quero ser entendida. Querer ser compreendida é uma arrogância”.Björk há um tempo atrás.
Eu sempre levo comigo que a compreensão de cada trabalho dela é enxergada quando passamos a compreender a si mesmos. Confuso. Mas é assim que eu trabalho.

Quando passei a acompanhar a Björk há alguns anos atrás, eu nunca senti a necessidade exata de tentar compreender o porquê, a dor, a oposição, o objetivo de cada coisa, pois tudo vinha naturalmente, ela se explicava através das músicas e nada mais. Não havia compreensão maior que essa e foi assim que aconteceu com o seu novo álbum, 'Vulnicura', a fabulosa e exata compreensão do ser humano, da mulher, de uma ferida.
Nunca me senti tão frágil ao ouvir um álbum, talvez com o 'Vespertine', mas não com a tamanha hermeticidade, dá para sentir a fragmentação da mulher que depositou toda a sua dor de uma separação, de um questionamento, tudo de uma forma tão honesta que é praticamente impossível não barrar com o sentimento de qualquer ser humano, assim exemplificando a minha objeção inicial.

O álbum todo parece te intimidar, na primeira ouvida eu já me sentia sufocado, sentia que eu precisava fazer alguma coisa, não exatamente ajuda-la, mas me ajudar. Essa sensação se arrasta da primeira canção, 'Stone Milker' até a última 'Quicksand'. A minha favorita é 'Family', produzida por Haxan Cloack, a música carrega um eletrônico denso, não só pela melodia, mas pelo lirismo desesperador e angustioso. Björk soube criar um laço firme com Cloack, dançando a sua dança e criando a coreografia perfeita em cima da sonoridade tormentante do artista.

// Ler "3 produções sonoras que tenham drenado a minha dor ultimamente" //

O instrumental lento e as batidas corroídas pela sensação da lembrança me provaram que foi certa a escolha das outras mentes responsáveis, pois não foi só o tormento do Haxan Cloack que escorreu como lágrimas na coreografia, mas o desejo e a sensatez do Arca, quase um central na produção, também estiveram presente na pincelagem da pintura irrequieta do rompimento.

É possível ver as súplicas de Björk, mas nesse momento eu tive que me afastar um pouco da forma que eu compreendo ela, eu não consegui me entender e me encaixar nesse sentimento, nunca atingi ao ápice da dor para suplicar o amor, suplicar ser amado. "Maybe he will come out of this loving me", é o que ouvimos em 'Lion Song'. Mas não a questiono. Ela consegue atingir a dor como eu não consigo, ela a manuseia, a manipula, e a transcreve.

Suas ideias e seus sentimentos fogem do abstrato, ela criou um álbum vulnerável, um álbum humano, há um enxame de sons (como ela mesmo cita) e todos eles são humanos, todos são propícios a serem sentidos, o cheiro da euforia é sentido na primeira reflexão. Temos disponível o supra-sumo da sensibilidade, sensibilidade que nos mostra uma nova perspectiva do que é Björk, uma perspectiva sem exageros, sincera.

Compreendido e preparado, if she sinks, I'm going down with it.

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