Patti Smith está na lista das minhas maiores influências, e ela é incrível, não é uma tietagem barata não, mas essa garota não transpira feminilidade nem masculinidade, ela não precisa de alguma definição para encaixa-la. Com menos de 18 já estava grávida, com menos de 10 já pedia a Deus para ser uma artista. Se alguém já se perguntou qual é a minha fotografia favorita de todos os tempos, então a resposta é essa:

Patti é questionadora, assim como eu. Ela não entendia porque aquilo era de menino e ela não poderia usar porque ela era uma menina. Muitos a consideram como a mãe do punk, dizem que ela trouxe a feminilidade pra ele, eu já não concordo! Patti trouxe a poesia para o movimento e poesia não tem gênero. Ela conectou a rebeldia do movimento com o silêncio da noite, aquele que ecoa no seu quarto com as luzes apagadas, e o mais incrível: foi tudo ao acaso. Patti não era para ser cantora, ela saiu de sua cidade para NY para se envolver com arte, mas não necessariamente com a música. Seus primeiros passos relacionados a isso foi escrever para revistas sobre alguns discos na época.
O que me atraiu pela Patti foi essa inquietação e essa sorte, ela esbarrava em artistas que eu sou fascinado o tempo todo, ela tomou café com Allen Ginsberg, recebeu alguns conselhos de Janis antes da própria morrer e gravou no estúdio de Jimmi. Além de viver na melhor época, os anos 70, onde NY gritava com a Factory de Warhol e criava, criava, criava e criava. O mundo estava entrando em colapso. O punk em uma corrente sob pressão. E o pop estava imergindo e gritando.
É complicado descrever sua música, talvez falar sobre sensação de liberdade e de chorar que eu sinto a cada música que eu ouço? A liberdade do tempo e principalmente do que florescia dentro dela. Ás vezes é meu refúgio e ás vezes é o meu engate para correr. É um complexo de insatisfação, mas sublime.