Patti Smith, uma mãe e um pai

by on terça-feira, 7 de outubro de 2014




Patti Smith está na lista das minhas maiores influências, e ela é incrível, não é uma tietagem barata não, mas essa garota não transpira feminilidade nem masculinidade, ela não precisa de alguma definição para encaixa-la. Com menos de 18 já estava grávida, com menos de 10 já pedia a Deus para ser uma artista. Se alguém já se perguntou qual é a minha fotografia favorita de todos os tempos, então a resposta é essa:



Patti é questionadora, assim como eu. Ela não entendia porque aquilo era de menino e ela não poderia usar porque ela era uma menina. Muitos a consideram como a mãe do punk, dizem que ela trouxe a feminilidade pra ele, eu já não concordo! Patti trouxe a poesia para o movimento e poesia não tem gênero. Ela conectou a rebeldia do movimento com o silêncio da noite, aquele que ecoa no seu quarto com as luzes apagadas, e o mais incrível: foi tudo ao acaso. Patti não era para ser cantora, ela saiu de sua cidade para NY para se envolver com arte, mas não necessariamente com a música. Seus primeiros passos relacionados a isso foi escrever para revistas sobre alguns discos na época.



O que me atraiu pela Patti foi essa inquietação e essa sorte, ela esbarrava em artistas que eu sou fascinado o tempo todo, ela tomou café com Allen Ginsberg, recebeu alguns conselhos de Janis antes da própria morrer e gravou no estúdio de Jimmi. Além de viver na melhor época, os anos 70, onde NY gritava com a Factory de Warhol e criava, criava, criava e criava. O mundo estava entrando em colapso. O punk em uma corrente sob pressão. E o pop estava imergindo e gritando.


Não posso deixar de mencionar o seu envolvimento com Robert Mapplethorpe, uma das coisas mais profundas que eu já vi, quase tão inexplicável quanto Yoko e John (ok, nem tanto), ele era homossexual e ela heterossexual e mesmo assim permaneceram juntos, e mesmo assim quando ele morreu, foi por ela que ele clamou, não era o sexo, o tesão que os ligavam, era a alma. É uma coisa invejável, mas uma inveja com sede de viver um dia isso, de ser ligado com alguém pela alma e por mais nada.

É complicado descrever sua música, talvez falar sobre sensação de liberdade e de chorar que eu sinto a cada música que eu ouço? A liberdade do tempo e principalmente do que florescia dentro dela. Ás vezes é meu refúgio e ás vezes é o meu engate para correr. É um complexo de insatisfação, mas sublime.




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