Schiele foi um artista condenado por denunciar a corrupção de uma sociedade hipócrita e decadente, como Sade e Oscar Wilde. Ele mais não fez do que expressar o horror do ser humano levado ao extremo da sua degradação. Para Schiele a Natureza era tanto mais fascinante quanto mais animada por um declínio irrevogável. Ao contrário de artistas como por exemplo Van Gogh, que pintou os célebres “Girassóis” como força triunfante, solar e vital, Egon preferiu ilustrar a qualidade outonal das plantas em decomposição, no processo de desintegração. Explorou sem complacência a antevisão da morte em tudo, nas belas flores já ressequidas, nos traços de fome, de vício, de devassidão, de doença em corpos ainda jovens, nas visões alucinatórias de cidades imersas em escuridão. Muitos dos corpos masculinos e femininos que desenhou, angulosos, distorcidos e de uma atroz magreza, parecem antecipar os horrores dos campos de concentração. Mas a sua sensualidade demonstra bem a fome do sexo e a ânsia do ser humano de sobreviver a todas as tragédias.
Seus traços são como a morte. Seu espiríto é doloroso.
