Eu gosto quando as madrugadas chegam, elas parecem trazer consigo a minha liberdade. Mas não a liberdade que eu já tenho, a liberdade de ir e vir, mas sim a liberdade de não ter mais o medo comigo. Eu consigo me encarar, consigo me ver onde eu quero, consigo me olhar no espelho e me sentir bem. Consigo enxergar o palco da minha vida. Coloco a música que eu gosto no volume mais alto possível, visto o meu vestido e coloco meu lenço preto enorme e danço, e pulo, e volto a dançar, eu danço para tudo e para todos, eu danço em cima das minhas mentiras, danço para o meu medo, danço para minha família, danço para minha escola, danço para o mundo. E canto.
Eu canto pedindo para não voltar a minha realidade. Mas canto mais ainda para que o que eu estou sentindo faça parte do meu real e não fique apenas nas minhas madrugadas escuras de portas trancadas. Eu cansei de criar o meu próprio mundo e fugir do mundo real, pois ele é tão grande e tão cheio de tudo que eu quero. Há tantas pessoas para me ouvir e há tanto o que descobrir ainda.
Mas deixa pra amanhã, quem sabe eu abra a porta e encare o real.
Chandelier
